Segunda-feira, 26 de Novembro de 2007
Conversa com a Presidente da Câmara de Caminha

No passado dia 14 de Novembro, dirigimo-nos à Câmara Municipal de Caminha para entrevistar a Doutora Júlia Paula Costa, presidente da Câmara Municipal. Aqui fica a entrevista que realizamos:

"1 - Quais os planos que a Câmara Municipal de Caminha tem para Vila Praia de Âncora, para um futuro próximo?

O Executivo camarário tem vindo a dedicar uma particular e muito evidente atenção a Vila Praia de Âncora, desde sempre, e a prova disso é o grande número de obras — umas mais visíveis e outras mais discretas’ — que têm vindo a ser feitas na Vila.

No imediato, poderei dizer que há três projectos de relevo quanto a Vila Praia Âncora: as piscinas municipais, a ludoteca/biblioteca e a ecovia, sendo que todos eles são empreendimentos não só necessários como há muito ansiados pela população local, com a qual estamos em plena sintonia. A vontade de ver construídas as piscinas municipais é partilhada por todas as forças políticas caminhenses e pela população que, há muito, espera por um equipamento prometido ao longo de largos anos.

Assim, e depois de ter herdado’ uma situação complicada de Executivos anteriores, em que o Município nem sequer possuía os terrenos necessários para os quais se anunciava a construção das piscinas, o actual Executivo camarário comprou esses terrenos e encomendou um projecto moderno e funcional, que inclui um clube de saúde e campos de ténis. A respectiva candidatura foi apresentada e…. chumbada. Mediante isto, e recusando baixar os braços, a Câmara decidiu iniciar um processo com vista à constituição de uma sociedade comercial para a construção das piscinas municipais. Esta obra vai, portanto, avançar!

Refira-se que o recurso a parcerias com privados tem sido uma opção de várias câmaras, para viabilizar obras que, de outra forma, não seriam possíveis. Essa foi a solução que encontramos para satisfazer esta carência existente em Vila Praia de Âncora, e de que não desistiremos.

Também a Ecovia Caminha-Vila Praia de Âncora vai avançar, tendo já sido adjudicadas pelo Município as duas empreitadas que constituem este projecto: a primeira, refere-se à pavimentação inerente à rede ciclável e pedonal do troço de Moledo a VP Âncora da ecovia, sendo a segunda relativa ao troço de Vila Praia de Âncora (Portinho). Ambas as empreitadas visam uma adequada integração urbana e paisagística na área de intervenção, com utilização de materiais favoráveis do ponto de vista ambiental e da sustentabilidade, como é o caso da utilização de betumes modificados com borracha reciclada de pneus usados.

Na Ecovia Caminha-VP Âncora estão previstos pontos de paragem equipados com mobiliário urbano adequado à frente marítima, sendo também as passadeiras adaptadas para passadeiras de nível, para os cidadãos com mobilidade reduzida. Serão ainda colocados bancos, ecopontos, porta-bicicletas, arborização e, numa fase posterior, sinalização vertical de cariz informativo.

A ecovia vai ser enriquecida ainda com a colocação estratégica de zonas de descanso e paragem acolhedoras, com mobiliário adequado ao descanso e repleto de sombra, assegurada com arborização e coberto vegetal.

A regularização do estacionamento automóvel também não será esquecida, com a criação de lugares de estacionamento — actualmente inexistentes — ao longo da antiga EN 13.

Também a ludoteca/biblioteca de Vila Praia de Âncora deverá estar em pleno funcionamento no início de 2008. A candidatura apresentada pelo Município com vista ao desenvolvimento do projecto As Tecas — Biblio e Ludo, Espaços de Descoberta e Criatividade”, e que permitirá equipar a Biblioteca e Ludoteca de VP Âncora, foi aprovada, possibilitando avançar com a entrada em funcionamento, em breve, de mais um espaço de cultura e lazer, destinado não só às crianças e jovens mas também aos adultos, no que diz respeito à parte de biblioteca.

Esta candidatura destinou-se a equipar os espaços interiores da futura Biblioteca! Ludoteca, que terá recepção, gabinete de trabalho, zona de leitura de periódicos, sala de leitura de adultos, sala de leitura infanto-juvenil, espaços polivalentes de exposições, dois ateliers, um depósito e a ludoteca, propriamente dita, com áreas de bebés, de exercícios, das regras, do simbólico e polivalente, para além de um anfiteatro também polivalente.

Esta estrutura vai ter também um espaço Internet e multimédia, cujo equipamento, designadamente informático, foi objecto de uma outra candidatura.

A futura Biblioteca/Ludoteca de Vila Praia de Âncora é um espaço pensado para realizar, experimentar e criar atitudes novas face ao livro e à leitura, bem como à arte de brincar. Um espaço para utentes de diferentes grupos etários viverem as suas emoções, manifestando-se artisticamente, lendo e comunicando de formas diversas.

 

2 - O que mais gosta em Vila Praia de Âncora?

Para falar verdade, o que realmente mais gosto em Vila Praia de Âncora é a sua beleza natural, que considero um verdadeiro regalo para os olhos e para alma! Mais do que o património construído ou as diversas estruturas que a freguesia nos oferece, não há nada que possa ser mais belo do que sentir o cheiro do mar, seja no Inverno, seja no Verão, e ficar apenas a olhar a beleza da costa, simultaneamente viva e apaziguadora.

Recuso-me, por isso, a escolher um local ou uma qualquer estrutura. A freguesia é bela e “rica” por si mesma, e as suas gentes são genuínas, sãs e hospitaleiras. E tudo isso que me encanta mais...

 

3 - Quais são os pontos fortes e fracos de Vila Praia de Âncora?

O ponto mais “forte” de VP Âncora — como acabei de referir na resposta anterior — podemos dizer que é, sem dúvida, a sua beleza e as suas características naturais, que lhe dão os requisitos essenciais para ser uma bela e multifacetada estância de Verão, sobretudo. Possui, por natureza, características privilegiadas para a prática de diversos desportos náuticos, para além de um extenso e aprazível areal para quem gosta de praia, com equipamentos que permitem fazer férias balneares com qualidade. Há bons acessos à praia, bares de apoio e diversos restaurantes nas proximidades, animação variada — sobretudo no Verão -, fácil estacionamento, parque infantil, espaços de lazer.

Destaco também que à animação intensa, com espectáculos diversos, se associam a cultura e a educação, e aqui quero chamar a atenção para organismos como a Ancorensis — Cooperativa de Ensino, a Academia de Música Fernandes Fão — e o seu já emblemático Concurso de Piano e Festival da Primavera -, ou o Orfeão de Vila Praia de Âncora e o Grupo Etnográfico de Vila Praia de Âncora, por exemplo, instituição que tem vindo a representar o concelho e a região ao mais alto nível, em Portugal e no estrangeiro.

Não lhe chamaria ponto “fraco” mas considero que há alguma descaracterização urbana da vila, que temos vindo a tentar corrigir, na medida e nas situações em que isso possa ser enquadrado no âmbito do papel da Câmara. Todas as obras que o Município tem vindo a levar a cabo nos últimos anos têm, também, procurado sempre corrigir essa descaracterização, procurando “ordenar” a vila e fazendo-a recuperar a suas características genuínas de Vila simultaneamente piscatória e turística, tradicional mas aberta ao progresso, sem que essas duas vertentes sejam, de forma alguma, incompatíveis.

Todos os projectos levados a cabo por esta Câmara — e foram muitos! — desde os melhoramentos de ruas e praças até às alterações de posturas de trânsito, para dar apenas alguns exemplos, tiveram sempre por finalidade, também, dar “ordem” e harmonia à vila, inserindo-a cada vez mais e melhor na paisagem de que ela deve fazer parte. Será dessa combinação que sairá o equilíbrio e a beleza harmoniosa que todos queremos ver na vila.

 

4 - O que se pode fazer para tornar VPA mais atractiva, para os ancorenses e para os turistas?

No fundo, tudo o que disse na resposta às questões anteriores é também válido para esta. Os ancorenses gostam da sua terra e tudo o que temos de fazer é criar as condições para que se sintam cada vez melhor e encontrem na Vila as respostas para as suas necessidades e expectativas, seja ao nível da educação, do desporto, do lazer, mas também as infra-estruturas e condições para o seu desenvolvimento. Estou a lembrar-me da revitalização comercial, onde demos um passo importante com o URBCOM, no âmbito do qual também requalificamos várias artérias importantes, nas quais ainda remodelamos e instalamos novas redes de saneamento, abastecimento de água, comunicações, etc. 

Com a ACIVAC também estamos a trabalhar em parceria e os benefícios para o comércio serão cada vez maiores.

VPÂncora tem espaços importantes que estavam negligenciados. Não vou ser exaustiva, mas tenho de referir a Quinta da Barrosa, um lugar com fortes potencialidades que se encontrava praticamente abandonado e invadido por silvas e outro tipo de vegetação que não foi cuidada ao longo de muitos anos. Os funcionários da Câmara realizaram uma gigantesca operação de limpeza. Posso dizer que estamos a pensar na criação de um parque, as ideias ainda estão a ser desenvolvidas, mas a Quinta é um dos lugares que estão nos nossos planos.

O Dólmen tinha sido vandalizado. A Câmara, só por si, nada podia fazer, por se tratar de um monumento, mas sensibilizámos o IPPAR (hoje IGESPAR) e foi feita uma limpeza. O Dólmen da Barrosa é hoje um dos monumentos incluídos nos roteiros de visitas que o nosso Museu Municipal promove, tanto para crianças como para o público sénior. Estamos a dar mais visibilidade a este exemplar do nosso património.

Em matéria de limpeza, e com a Junta de Freguesia, não posso deixar de referir também o Calvário.

Ainda recentemente, aqui noutro plano, realizámos uma profunda limpeza da Zona Industrial da Gelfa, cujo processo também conseguimos desbloquear. A Câmara já deu início à celebração das escrituras relativas a este complexo. O primeiro dos 27 lotes foi vendido em Junho. Refiro esta data porque marcou um acto formal, mas sobretudo simbólico e de grande relevância, uma vez que assinalou o fim de um dos processos mais complexos herdados por esta Câmara. É que a Zona Industrial da Gelfa foi largamente propagandeada nos anos de 2000 e 2001, mas, nessa altura, uma boa parte dos terrenos nem sequer pertencia à Autarquia.

A implementação da Zona Industrial da Gelfa foi aprovada em 1997, tendo sido então fixadas as condições em que decorreria a operação de loteamento e os projectos de obras de urbanização. Acontece que a Câmara não procedeu ao respectivo registo predial, nem o poderia fazer, uma vez que não tinham sido adquiridos todos os terrenos envolvidos. Foi um processo moroso e complexo para nós, mas felizmente está resolvido.

Estamos todos à espera da segunda fase do Portinho, agora que conseguimos corrigir, dentro do que era possível, os erros cometidos na primeira fase da obra. Como é público, a concretização desta segunda fase terá importância para a pesca, uma das componentes mais características do tecido produtivo da Vila, mas também para o turismo, para além de permitir requalificar toda a marginal Norte. 

 

5 - O que deveria ser preservado, melhorado e criado na vila?

Preservados têm de ser os espaços e o património que são relevantes como elementos de identidade. Já falei do Dólmen e da Quinta, do Calvário, da marginal, noutro plano. 

Depois, há um aspecto que é muito importante, e que diz respeito ao que já existe. Não se pode cruzar os braços, é preciso acompanhar, preservar, garantir a funcionalidade e a qualidade dos espaços e dos equipamentos.

Há ainda muito a melhorar no que diz respeito à rede viária e à mobilidade. Temos feito grandes esforços, mesmo que seja necessário derrubar prédios, como já aconteceu, uma vez que os estrangulamentos criados, fruto de um mau planeamento, eram intransponíveis.

Criamos também o Nó da Erva Verde, uma nova saída e entrada da Vila.  

 

6 - Quais são as ameaças e oportunidades a VPA?

A natureza costeira de Vila Praia de Âncora é a sua grande riqueza. A erosão é um fenómeno a que temos de estar atentos e que tem de ser monotorizado e corrigido. Depois tenho de referir a grande ameaça que tem sido a poluição do rio Âncora, que tem afectado a nossa praia, levando-a a perder a Bandeira Azul. Quero realçar que a época passada registou bons resultados ao nível das análises, que nos permitem voltar a concorrer agora à Bandeira Azul.

Das 20 análises realizadas, entre 16 de Maio e 25 de Setembro, 17 obtiveram a classificação de “boa” e três de “razoável”. Estes resultados, para além de confirmarem a qualidade da água, enquadram-se nos apertados padrões de exigência da Bandeira Azul da Europa.

Ainda não temos resultados definitivos de todo o trabalho que implementamos, em vários domínios, para identificar, combater e banir as fontes poluidoras, mas estamos perto. Queremos acabar de vez com essa ameaça, que prejudica toda a Vila e até o Concelho, que compromete as actividades produtivas essenciais, o comércio, a indústria, em particular o turismo, e, claro, a vida dos ancorenses.

Recordo que o Município realizou um investimento avultado em múltiplas diligências, sempre em colaboração com a Delegação de Saúde, desde a dotação com equipamento adequado e a formação dos funcionários, até inspecções visuais e por vídeo das condutas, estudo das linhas de água, para além do cuidado acrescido nas obras, uma prática que, de resto, este Executivo implementou, aproveitando-se as intervenções para a construção ou remodelação das infra-estruturas. 

Entretanto, e para além da sensibilização, a Câmara deu uma nova oportunidade para a regularização de ligações clandestinas, isentando parcialmente esse serviço e concedendo facilidades no pagamento dos ramais.

O turismo é a grande oportunidade, mas não se desenvolve sem qualidade, seja a que nível for, nem sem infra-estruturas.

 

7 - Se pudesse mudar uma série de características para um futuro próximo em VPA, que alterações faria?

O urbanismo é seguramente o problema principal. Há aspectos do desordenamento que será impossível corrigir, que não favorecem a paisagem urbana e que também não têm um peso positivo na vida das populações, bem pelo contrário.

Como já disse, estamos a criar os instrumentos que permitirão agir com rigor. A revisão do PDM trará novas directivas, mais planeamento e mais rigor.

Mas há coisas que não se podem mudar. Então, o que é preciso é melhorar e fazer mais pela população e pelos vários sectores de actividade. É isso que estamos a fazer.

 

8 - Quais as medidas que acha pertinentes para o desenvolvimento de Vila Praia de Âncora?

Em termos de projectos, equipamentos e medidas para afastar de vez a grande ameaça que é a poluição e a degradação do que é a principal riqueza, a praia e tudo o que a ela está ligado, creio que já disse o essencial nas perguntas anteriores.

Esperamos continuar a poder dizer que Vila Praia de Âncora é uma terra segura. Esperamos que o Governo mantenha aqui a GNR e que não se concretizem encerramentos de que se fala por aí - tudo faremos para que isso não aconteça.

De resto, os ancorenses e os muitos turistas que procuram a Vila sabem bem do investimento que a Câmara faz na cultura e no lazer, materializada naquilo que costumamos chamar Animação Cultural. Ela é uma constante ao longo de todo o ano, mas é particularmente forte nos meses de Verão. 

Muitas vezes não tem apenas objectivos de puro lazer. Estou a lembrar-me do Marlifestyle, que, além de um espaço de animação, foi também uma forma de mostrar a nossa oferta, a nossa moda. Foi um sucesso.

Estou também a lembrar-me da Arte na Rua, que animou espaços exteriores, mas também os estabelecimentos comerciais, criou novas centralidades e interagiu com o público.

A Câmara promoveu variadíssimos espectáculos, sozinha ou em parceria, e aqui tenho de evidenciar a Feira do Livro, sem dúvida, uma iniciativa da Ancorensis.

De resto, e para além do que está directamente ligado à Vila, não quero deixar de abordar a grande oportunidade e os benefícios que vêm com o Valimar Digital, uma rede regional de fibra óptica com mais de 126 quilómetros de extensão, que interligará os seis municípios que integram a comunidade urbana.

Esta rede vai ligar os centros urbanos, de forma a colocar o território na era digital mediante um aumento do tráfego e acesso mais rápido às tecnologias de informação e isso é fundamental, hoje em dia.

O projecto vai também aumentar a atractividade das empresas e dos serviços de base tecnológica, uma vez que a infra-estruturação desta rede passará pela utilização livre de acesso aos operadores de serviços acreditados pela Autoridade Nacional de Comunicações.

O Valimar Digital permitirá ainda combater a info-exclusão e a iliteracia digital através do acesso aos serviços de Internet de banda larga. É um passo muito importante nos dias de hoje, de que Vila Praia de Âncora vai beneficiar.

Em termos de projectos, é importante também referir o do saneamento Sul de Vila Praia de Âncora, que está feito e aguarda apenas o indispensável financiamento para que se possa concretizar.

Também a requalificação do Parque Ramos Pereira e a criação de condições para a prática desportiva (um mini-polidesportivo que brevemente entrará em fase de execução) e de desportos radicais.

A recuperação e a reestruturação das escolas do Viso e de Vilarinho para cedência ao Orfeão de Vila Praia de Âncora e Escola de Música Fernandes Fão.

Também as já mencionadas piscinas municipais.

Um abraço amigo e bom trabalho."

Resta-nos apenas agradecer a amabilidade da Sra. Presidente por nos ter recebido com tanta hospitalidade e nos ter guiado em visita pela Câmara Municipal.

 



Publicado por VPAmanhã às 09:42
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2 comentários:
De santa__terrinha a 27 de Novembro de 2007 às 10:09
Parabéns pelo blog...já têm muito trabalho feito! Não deixem de espreitar o nosso:P


De Pneus Usados a 27 de Julho de 2010 às 10:07
Excelente!


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